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PRIMEIROS PASSOS....



A Simone escritora nasceu aos 11 anos. Antes disto, sofria nas redações na escola. "Não conseguia passar de duas linhas sofridas", como diria uma professora de Língua Portuguesa. Uma timidez dolorosa tornava-me refém da falta de expressão verbal e escrita. O primeiro poema que chamou-me a atenção foi o do escritor Paulo Leminsky. O poema dele tocou-me a alma porque dizia muito sobre a menina que eu era.


Cresce a vida
Cresce o tempo
Cresce tudo
E vira sempre
Este momento

Cresce o ponto bem no meio
Do amor seu centro

Assim como
O que a gente sente não diz
Cresce dentro


Havia mesmo um bocado de coisa crescendo dentro de mim que não conseguia expressar. Assim, a mesma professora de Língua Portuguesa, percebendo a minha falta de expressão angustiante, propôs-me um desafio. Era época de amigo-secreto na escola e todos estavam trocando correios-elegantes. A professora pediu-me que escrevesse correios para ela todos os dias, mesmo não sendo ela a minha amiga secreta. Fiquei aflita com a proposta porque iria endereçar os meus escritos à professora de Português! Meu medo de cometer erros na língua era deveras astronômico, mas tirando os constrangimentos, gostei do desafio e resolvi levar em frente o convite. Os primeiros bilhetes foram expressos arduamente. Com o tempo, uma frase tornou-se um parágrafo, um parágrafo um bilhete, um bilhete uma carta. As cartas floresceram após alguns anos. A professora respondia, fazia comentários, encorajava-me a continuar. Assim, por causa daquela professora de Português, do desafio que ela lançou-me e por ter acreditado que eu seria capaz de expressar-me na escrita, descobri a paixão por isto e não parei mais de escrever. Virei uma escritora compulsiva, especialmente de cartas. Perdi a conta quantas cartas escrevi na vida. Inúmeras! Escrever foi a terapia que tirou-me do anônimato e da mudez.

Hoje continuo escrevendo cartas, mas também diários, poemas, estórias curtas, relatos, comentários em livros que leio, e também já escrevi um livro inteiro em dois dias sobre a Enfermagem, minha amada profissão. O livro não foi publicado, mas realização já me trouxe porque ele existe. Na escrita este foi o meu maior desafio. Tenho medo de falar para os outros que sou escritora além de enfermeira, mãe, mulher, esposa, dona de casa, irmã, amiga, filha, etc. Poderia parecer pretensão da minha parte. Mas aqui, neste espaço, posso dizer que tenho alma de escritora, pois estou conversando comigo. Dependo só do meu próprio reconhecimento. As pessoas geralmente gostam das cartas que escrevo. Ou se divertem ou se emocionam, o que me deixa muito feliz. Quando escrevo uma carta para alguém quero que a pessoa se sinta especial e que saiba que a carta foi escrita sob medida para ela. As cartas são meus presentes para as pessoas que gosto. E quanto mais as pessoas gostam das minhas cartas mais motivada me sinto em caprichar ainda mais nas próximas. Escrever, no meu caso, é mais do que paixão, é necessidade. Escrever é a minha comida, alegria, conforto, paz, diversão, minha janela para o mundo de fora. O papel em branco o meu confessionário. A escrita minha voz.

(Simone)