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ANOS DEPOIS... INFLUÊNCIAS...

 


Depois de uma primeira tentativa, passei um tempo sem criar poemas em si, embora continuasse a escrever cartas e mais cartas. Aos 16 anos, cursando o colegial, comecei a ter aulas de Literatura Brasileira e Portuguesa. Foi a primeira vez que tive contato com este mundo dos escritores profissionais aprendendo o que havia por detrás das criações deles. Meu professor, Adalberto Gomes, tinha uma didática incrível, mas mais do que isto, acho que o que fazia diferença era o fato de ele amar Literatura e aquilo nele me contagiou. Esperava ansiosamente por aquelas aulas. E quando vinham era puro fascínio. Esquecia do mundo ao redor para ficar mergulhada naquele. Um dia, uma das tarefas era escrever uma redação em forma de narrativa. Criei uma estória na qual descrevia uma viagem ao Egito, às pirâmides. Lá fui tomada pela atmosfera misteriosa do local e me perdi para sempre naquele mundo fascinante. O professor gostou muito da redação e escreveu no final como comentário: "Seu texto tem todos os elementos de uma narração, ou melhor, de uma boa narração. Todo este clima de mistério deu um colorido especial à redação, possibilitando ao leitor sentir a mágica atmosfera do Egito." Ele destacou um techo do texto: "O vento que corria sobre ela (estátua) soava em meus ouvidos como um enigma instigante que me transportava ainda mais àquele lugar cheio de surpresas."


Três pessoas, em especial, ao longo da minha vida, influenciaram-me na escrita. Primeiro, a professora de Português no ginásio que foi quem acreditou que seria capaz de ter expressão escrita, depois Adalberto o professor de Literatura do colegial que introduziu-me ao mundo das artes literárias e, mais tarde, no cursinho, uma outra professora. O nome dela era Auzônia. Nunca, jamais irei me esquecer daquelas aulas dela. Auzônia, uma senhora baixinha do Amazonas, era A expert na arte de hipnotizar a platéia com a paixão dela pela Literatura. Um dia deu um aula só sobre o livro "A Hora da Estrela" de Clarice Lispector. Foi uma coisa do outro mundo prá mim! Não queria que acabasse jamais! Foi graças à Auzonia que fiquei apaixonada pela escritora Clarice Lispector. Identifiquei-me totalmente com as características da escrita dela, sempre explorando o lado psicológico dos personagens e, mais do que isto, ela escrevia sobre pessoas comuns, os "anônimos" ... como as empregadas domésticas, por exemplo. Até hoje, estes dois aspectos dos escritos dela estão presentes no que escrevo também. Quando descobri Lygia Fagundes Telles também foi uma coisa! Culta, elegante, bonita, talentosa. Adoro o discurso refinado dela e a forma como descreve coisas. O título de uma das obras dela marcou-me: "Ciranda de Pedra". Este título tem uma coisa mágica prá mim. Por quê? Não tenho a menor idéia! Um dia descubro e conto!

(Simone)

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