Total Pageviews

"DECREPITUDE"



Casa embolorada
Onde vivia uma mulher desdentada
Janelas despencando
Telhado desmoronando
Formigas em trilhas nas paredes
Traças roendo os tapetes
Cupins desfilando
Nas frestas
Baratas enormes
Disformes
Ditam o tom da anarquia
Com maestria
Pilhas de gatos
Desabam dos armários
Com cara de salafrários
A mulher na cadeira de balanço
Gargalhando feito ganso
Orgulhosa das próprias tralhas
Veste a camisa dos irmãos Metralhas
Passou uma ventania
A casa estremeceu
A velha quase desfaleçeu
A bugiganga por um triz
Não virou pó de giz
Enquanto a bicharada comia jiló
Desgraça era pouco
E de dar dó
A velha com voz estridente grita:
 
Vamos acabar com esse trololó
Senão meto um tiro no seu fiofó
Caiam fora da minha maloca
Quem manda aqui é esta velha coroca!
E cuidado onde pisa!
Para não esmagar
As minhas minhocas
Elas servem de adubo
Para o meu assoalho
Onde eu planto
Umas réstias de alho
Prazer 
O meu nome de registro
É Wanderléia
Mas todo mundo me conhece
Pelo nome de guerra:
Mocréia!
:)
 
(Simone)

No comments: