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"ROTINA"



Que chatice! "Todo dia ela faz tudo sempre igual...", cantou nosso Caetano. Rotina é a escravidão da mesmice. E mesmice não constrói, só aborrece! Mais tarde na vida, as rotinas viram parte da memória e aí, estranhamente, a gente sente saudades daqueles tempos rotineiros.

A rotina da dona-de-casa é a pior das servidões humanas. Não se aprende nada e tudo o que é feito quando não feito ou malfeito, vira alvo de críticas implacáveis. Não se cresce, emburrece-se sendo dona-de-casa. A dona-de-casa é condecorada com a "rainha do lar" para numa questão de segundos ser arremeçada à categoria de "rainha da incompetência". Qual é o mérito de ser dona-de-casa? Lavar roupa, tirar o pó, jogar o lixo fora, lavar as cortinas, esfregar o chão, trocar fralda... a lista é interminável. Rainha do lar! De onde esta expressão veio, eu me pergunto?! Este "título de nobreza" tenho certeza que nenhuma mulher em sã consciência quer ser merecedora!

Lembro de uma musiquinha na infância, aprendida na escola, cantada no Dia das Mães: "Mamãe, mamãe, mamãe, você é a rainha do lar .... com o avental todo sujo de ovo..." Onde está a glória disto??? Quem inventou esta música insossa?? Não é música, é karma! Isto porque era para exaltar as coitadas das mães! Que bela homenagem!
A única coisa boa da rotina é escrever sobre ela, imaginar poemas e versinhos ritmados para escancarar com a tal. A rotina rendeu-me esta composição. Serviu para alguma coisa construtiva (creio eu!). Acabei de aprender com a Dona Rotina que ela não é assim de todo o mal. "Lava a roupa todo dia, que agonia..." (Chico Buarque) ... Aqui vamos nós ....

(Simone) 

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