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"ÁFRICA DE BELEZAS E TRAGÉDIAS"


 
A mesma África
De lindas crianças
Mulheres valentes
Colorida, musical
Morada de animais magestosos
Paisagem inigualável
Nas montanhas e savanas
É a que morre de fome
Com as mãos estendidas
Palco de atrocidades
Genocídios
Estupros em massa
Gangs de homens impiedosos
Que ceifam vidas inocentes
Como se fossem um campo de trigo
À espera da colheita

Tantas mulheres
Mães da prostituição
Crianças filhas e filhos da AIDS
Famílias condenadas a viver
Em meio à perdas e dores

A África das tribos Zulús
Deslumbrantes ornamentos
Cobrem os corpos
Tatuados em escaras
Tradições inimagináveis
Onde sobreviver à dor é ser valente
A lâmina encharcada de sangue
Fruto da mutilação feminina
Lâmina corroída pela ferrugem
Que navalha os rostos
Como que talhando madeira
Nos ritos de passagem
 
A África dos safaris
De natureza imaculada
Onde o homem branco domina
E o negro inclina
Subjugado como súdito
Diante do poder estrangeiro
Colonizador e colonizado
Escravidão velada...
 
A África é um vasto campo fértil
Na intensidade do viver, sofrer e morrer
Testemunhar a vida e morte
É um exercício diário
Neste palco a vida desfila
E a morte está sempre de sentinela
À espreita no bastidor
Tantas faltas...
 
Banalização de tudo...
O ser exposto à aterradora desumanidade
Subumanidade
Perpetrada pelos próprios irmãos
Mesmo sangue
Mesma origem
Mesma carne
Mesma consciência
De que sobreviver
É a busca de todos
 
Amigos e inimigos
Hoje é aperto de mão
Amanhã a mesma mão
Estará abandonada
Mutilada numa sarjeta
Rastro da selvageria
 
África de tambores e festas
Sorrisos e cores
É a mesma África
De gritos e dores
Choro e horrores
 
A África é intensa em contrastes
Sorrisos reluzentes
Esqueletos inocentes
Agonia e alegria
Danças e sangria
As veias da África
Tem vida e bravura
Outras vezes
Padecem secas e anêmicas
 
Mas a África sobrevive
Porque o povo africano
Não deixa de sonhar a vida
O sonho de viver
É a esperança de todos
Não importa quão breve a vida seja
Ainda é privilégio e benção
É esperança
Renovação
Realização
 
O negro da pele
É o negro da vida
Mas a beleza, integridade e ternura
Dos que padecem
Frutos bons incondicionalmente
É que traz as cores
E faz deste continente
Um arco-íris impressionante
Sedutor, arrebatador
 
A África é o continente
Do preto e do branco
Onde todas as cores reluzem
Como os olhos das crianças felizes
E das mulheres nutrizes
 
A morte e a vida
Tem o mesmo poder
De fazer renascer e padecer
 
Ser africano
É uma roleta-russa
À cada dia que o sol
Alcança o céu
E repousa no horizonte.
 
(Simone)

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