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"CONTO DA GESTAÇÃO"



O bebê na barriga
Sacode e duplica
A kitnet onde ele está
Não tem espaço para uma pulga
O que dizer então para movimentos
De tartaruga!

A mãe toda roliça
Morrendo de preguiça
Já não tem mais posição
Indigestão sem solução

Expande para todos os lados
De norte a sul
Leste a oeste
Diz o marido:
"Que presentão que me deste!"

O bebê dá um chute
Enquanto a mãe
Pede chucrute
Desejo de grávida
Não se nega
Mesmo que seja brega

O marido coitado
À margem da situação
Vai se consolar
Assistindo televisão
Pelo menos pode ter diversão
Mulheres na programação
Sem aquele barrigão

Chega a hora do parto
A mulher grita de aflição
À cada contração

O médico chega com um bisturi na mão
E a mulher:
"Seu dotô tô pronta "prisso" não!"

A enfermeira instrui a mulher
A controlar a respiração
E inicia a contagem
"Tá na hora de expulsar o rebento
Este é o momento
Vamos começar o entretenimento!"

O bebê coitadinho
Espremido naquele buraquinho
Pede em desespero:
"Mãe tô quase chegando!!
Ajuda a empurrar
Que daqui a pouco
Eu vou estrear
Mas vê se me deixa sair
Antes de festejar
Essa porteira é estreita de amargar!"

Um grito de alívio
Se ouve no hospital
Mais um recém-nascido
Gemendo querendo mingal

A mãe esvaziada
Levanta as mãos para o céu:
"Meu Deus!
Quase que desta vez
Que vou para o beleléu!"

"Cruz credo Senhor
Quase morri de dor!
Mas agora tô feliz
Com o mais novo fedelho
Enrugado feito pele de joelho."

"Gravidez não é negócio
Para qualquer um
Mesmo prá mim
Que já tive vinte e um!"

(Simone)

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