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"GERAÇÕES DA PAIXÃO"

 
As paixões da infância são partilhadas com quem se quer brincar. Mãos dadas para a roda. Beijos sem jeito acabam em rubor e gargalhada. As crianças amam, só se for the verdade. Não há meio termo. Elas amam com inocente egoísmo, possessão. Não aceitam não. Amor prá elas é refúgio, conforto, proteção, aceitação, oxigênio.

As paixões da adolescência são vividas em duas etapas. A primeira é o jogo do quero e não quero. É o estudar o outro, contemplá-lo, testar o desejo à distância. Na segunda etapa, dá-se o encontro. Olhares calibrados, mãos entrelaçadas, sorrisos calculados, beijos esperados, encontros planejados. E quando o encontro acontece, é uma explosão para os sentidos, o despertar dos instintos. Quando a paixão desilude, o fim do mundo se faz dentro de um copo d'água. Paixões fatalistas. É o tudo ou nada. Se morre de amor, se sofre no torvelinho da dor. Se diz o que não se quer. Se pratica o impensado. Se sofre calado, na amargura interminável das paixóes que de coloridas tornam-se um preto e branco. Perdem a vida e viram ferida.

As paixões da vida adulta não vivem no fatalismo, mas na complexidade dos desejos reprimidos. A atração física não é velada, mas as palavras trocadas podem ser medidas. Ás vezes há o medo do olhar do outro que pode reprovar, desprezar, denegrir, mal amar. Há o medo da imperfeição e da completa rejeição. As paixões desta fase são manipuladas pelo intelecto e dominadas pelos seus complexos. O amor maduro poder ser impuro, obscuro e ficar em cima do muro. É o desejo da posse, é o controle sobre o ser o o fazer do outro. É o medo do compromisso entrelaçado com o desejo da entrega.

O paixão tardia, é mais o exercício da memória do que o encontro com o outro feito nos desejos da pele. É a paixão que se transforma em companheirismo, confianca inabalável, compromisso vitalício. A paixão tardia não é perecível. É a paixão tornada amor que passou da fase de aparar as arestas. Este amor é ou não é. Não faz rodeios. Não tem máscaras e as farpas perdem-se no caminho. É quando se entende que ninguém é perfeito. É a aceitação nua e crua. É a paixão que sobreviveu às intempéries e terremotos. Não há nada mais a provar or aprovar, já é sabido da frente e do avesso. É a consciência plena que traz uma paz e liberdade imperturbáveis.

(Simone)

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