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"SOFRIMENTO COMO REGRA"


Sofrimento como regra
É a realidade das mulheres no Afeganistão
Violência doméstica
Uma prática corriqueira
Anormal é não haver abuso

Estas mulheres são extremamente pobres
90% delas não tem estudo algum
Vivem em sociedades tribais
Onde o homem é o soberano
O que humilha e aterroriza
Vende a esposa, filha ou mãe
Como moeda de troca
Para saldar uma dívida com os donos da terra onde mora

Uma mulher que sofre estupro no Afeganistão
É considerada uma criminosa
Tornar-se-á ré e irá para a prisão
A família diz que para nada irá servir
Pois desonrou todos eles

As mulheres casadas
Sofrem igualmente a tirania imposta pelas sogras
Mulheres brutalizando outras
É assim, em meio à tanta ignorância e crueldade
Que a sociedade não muda
As regras pré-históricas que são impostas
Em "nome de Deus"
Só servem para subjulgar as mulheres
Reduzindo-as a um nada como gente

As meninas são proibidas de frequentar as escolas
As que tentam são atacadas nas ruas
Mutiladas com ácido em suas faces, mãos e pernas
Como método de intimidação

As mulheres que se tornaram viúvas
São condenadas a vida nas ruas
Se convertem a pedintes
Ou no desespero a prostituição
Para dar o que comer aos filhos nos braços e mãos

Ser mulher no Afeganistão
É nao ter voz
É viver sufocada
Debaixo da claustrofóbica burca
É viver escondida
Como se não tivesse direito a assumir a própria identidade

Quando os abusos ultrapassam todos os limites
Muitas delas buscam a morte como saída
Encendeiam seus corpos com óleo
As que morrem morrem lentamente em franca agonia
As que sobrevivem tornam-se marcadas por deformidades irreparáveis
Devido as gravíssimas queimaduras
O processo de recuperação é feito de dor e desolação
Quando recebem alta dos hospitais
São obrigadas a retornar para a prisão das casas
Para as mãos dos algozes
E o abuso se torna ainda mais horrendo
São punidas pelo "ato de rebeldia"
E vivem estigmatizadas

Uma das maiores punições às mulheres e meninas
É o que a sociedade afegã chama de "crime de honra"
Se o homem da casa ou qualquer outro da família
Determinar que um dos membros envergonhou a todos
(Obviamente em 100% dos casos uma das mulheres será o bode expiatório)
Por ter sido estuprada ou recusado a casar-se com o homem escolhido para ela
A vítima é retirada da casa
Levada ao meio da rua
O pai, irmão, tio ou primo
Sela o destino da vítima
Por uma morte por apedrejamento e pontapés 
Os passantes homens são convidados a participar
Adicionando ainda mais brutalidade ao ritual
É dito que só com a morte daquela que "desonrou" a família
Que esta se torna respeitada novamente em sociedade
A vítima é enterrada em vala comum como indigente
E a família simplesmente condena-a a imediato esquecimento
Como se jamais tivesse vindo ao mundo

O casamento infantil é outro evento "natural"
Meninas de 7 anos são obrigadas a casarem-se com homens de 70
Crianças que terão uma vida condenada à servidão e maus tratos
Uma sucessão de dores e medos
Mutilações, fome, abandono, cárcere privado e desespero

Mulheres e meninas nesta parte do mundo
Marcada pela poeira do esquecimento
Não sabem o significado do amor
Proteção, respeito
Compaixão, liberdade, felicidade
São escravas da própria realidade
Reinvenção da Idade Média
Escura, brutal, arcaica, sem diretrizes
À elas só resta um destino de cicatrizes...

(Simone)

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