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"CHORO DESENFREADO..."


Me deram um bebê para cuidar
Que não parava de chorar

Fiz de tudo
Mas o menininho não ficava mudo

Achei que estivesse com fome
Dei mamadeira
Mas o choro não passou
Parecia uma britadeira

Talvez estivesse com a fralda lotada
Olhei, verifiquei... nada
Porém o choro continuou desatinado
 O pior ainda era ser prá lá de desafinado

Peguei no colo
Levei para passear
Não havia meio de o terremoto se aquietar

Fiz caretas
Contei piadas
Mas o bebê olhava pra mim com cara de tédio
O desespero era tanto que eu estava a ponto de me jogar da janela de um prédio

Como era díficil agradar aquela criaturinha minúscula
Me achando com cara de pústula
Mesmo sem tamanho
De desafios me dava um banho

Ao longo das horas
Os decibéis só aumentavam
O que deu naquele fedelho
Com cara de joelho?

Mas quando a mãe dele chegou
Imediatamente o berreiro cessou
O bebê atormentado
Se tornou o mais bem comportado
Diante da mãe
Parecia estar às portas do paraíso
O sorriso era tão largo que se o bebê tivesse dentes
Daria para ver fácil até o ciso

O que que a mãe dele tinha que eu não tinha?
Aquela choradeira toda me fazia pensar que a culpa era exclusivamente minha

Depois daquela experiência devastadora
Eu queria era ir para um lugar calmo e silencioso
Onde todo mundo fosse no mínimo amistoso
Chega de tanto barulho
Foi horrível me sentir na vida de alguém um bagulho
Onde fica o meu orgulho?
Aquele bebê me fez sentir um verdadeiro entulho

Que benção quando a mãe dele chegou
E eu pude fazer a transferência do "pacote"
Me senti a pessoa mais cheia de sorte
Olha, este babado foi de morte!

Que bebezinho mais temperamental!
Me destruiu o alto astral
Não conseguia me comunicar com ele
Era como estar no mobral
E ser tão inexperiente
Como se acabasse de ter sido descoberto pelo Cabral!!

Vai com a mamãe bebezinho
Que eu vou é sair de fininho
Tchauzinho amiguinho
Vai brincar com o Zézinho, Huguinho e Luizinho
Não foi fácil o seu choro aguentar
Que barulheira de amargar!!

(Simone)

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