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"O VELHO SÓTÃO"


 
As teias são como relógios
Que marcam o passo do tempo
 
A aranha esculpe
Nas redes finas que tece
A história de um momento
 
O aposento fala
Com a voz do silêncio
Existe nele um sentimento
De inviolável entorpecimento
 
Velhos móveis
Foram deixados ao relento
Soterrados por camadas de poeira
De uma vida inteira
 
A luz do abajur
À muito se apagou
Levou com ela a aura de uma existência breve
E na escuridão mergulhou
 
A brisa fria dos ventos
Atravessa as frestas das paredes
Única visitante do mundo de fora
Faz tremular as redes
 Que as aranhas precisam reparar
Negando a elas tempo para descansar
 
O sótão sonha
Em ser assombrado por fantasmas
Trariam uma alegria
Que há muito se esvaiu
A melancolia é demais
Tanta nunca se viu
 
O tempo ficou velho
Nesta parte esquecida da casa
A vida foi embora
Criou asa.
 
(Simone)

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