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FOFOCA...

 
A arte da fofoca
É como a de estourar pipoca
Salpica por todos os lados
Uma palavra vira um conto
Uma coisa minúscula um estrondo
 
Gente que se preocupa mais com a vida alheia
Nada de bom colhe só tempestade semeia
A especialidade do fofoqueiro
É colocar a reputação dos outros num vespeiro
E torcer para que aconteça o pior no desfecho derradeiro
 
Sujeitos de língua comprida
Feito o parasita lombriga
Adoram instigar uma briga
E quando são descobertos prá todo mundo dão uma figa
 
É um tal de inventar história
Prá isso não lhes falta memória
O veneno no que falam
É mais devastador do que de um milhão de jibóias
Ô gentinha! Bando de recalcados e lambisgóias!!
 
Ficam espionando o que acontece na casa do outro
Porque na própria é puro vazio
Não poupam ninguém, criança, idoso, sobrinho ou tio
Sobre a vida deles não dão um pio
Línguas tão ferinas que dão arrepio
 
O que eu sempre acho
É que quem faz fofoca do outro
Quer mesmo é viver a vida do "fofocado"
Porque fofoqueiros não são só desalmados
Mas também mal amados
Dizem que o outro faz pouca vergonha
Mas na residência do fofoqueiro
A indecência é que é medonha
 
Falam mal da moça solteira
Que só porque saiu de saia curta
Já começam a dizer:
 "Sirigaita já vai fazer besteira!"
Gente que não tem nada prá fazer 
Escondido fica espiando atrás da soleira
Tudo o que tem prá falar é uma tonelada de asneira
Gente encrenqueira
No fim da noite vão patrocinar uma sessão da macumbeira
 
Todo domingo
O fofoqueiro vai a igreja
Para confessar o que na mente nunca pestaneja
Hipócrita é
Do fio do cabelo até o dedão do pé
Se disfarça como gente de fé
Mas na verdade
O que mais inveja e almeja 
É dos outros o cafuné!
 
-Simone-
 


CAMINHO DA ROÇA

 
As manhãs renascem com o canto do galo na soleira da porta
Cheiro de café fresquinho na mesa esperando com torta
 
Os raios de sol atravessam as frestas das janelas
É hora de começar a mexer as panelas
 
Os rostos nos espelhos
Mostram as marcas esculpidas
De uma vida de trabalho duro
Incansável perseverança
Por uma boa colheita há sempre esperança
 
Os animais vivem livres
Ajudam no trabalho
Mas também há tempo
Para serem com suas famílias felizes
 
O lavrador
Carrega nos ombros
A enxada companheira de lavoura
As mãos cheias de calos
São as que fazem germinar os regalos
 
As crianças vão para a escola
Caminhando pelas longas estradas de terra
Pulam amarelinha
Até chegar onde a professora as espera
 
As mulheres penduram as roupas nos varais
Ao mesmo tempo em que podem contemplar
Quão longe se extendem os cafezais
 
O caminho da roça
Desdobra os movimentos da vida
Cada dia duramente curtida
Através do esforço dos corpos cançados
De pés empoeirados
E braços fortificados
 
O tempo é medido
No espaço entre o que é conseguido
O que nasce na terra
No topo da serra
É o sustento
Que protege vidas de não dormir em relento
Longe do sofrimento
E que faz matar a fome
A cada exato momento!
 
-Simone-

CONTO DA VELHA BRUXA


 
A velha bruxa
Saiu da ducha
E foi sentar-se na cadeira de balanço
Adormecendo ao som de gritos de ganso
 
Ela estava cansada a coitada
Viajou demais na vida
A coluna entrevada
A memória quase apagada
E a vassora espatifada
 
Queria gozar dos últimos anos em casa
Em companhia das assombrações
Criando receitas de novas poções
E fazendo a festa dos ratos nos porões
 
A bruxa gostava de ficar de chinelo
Resolveu finalmente aposentar os sapatos de fivela
Que esmagavam todos os calos dela
As varizes nas pernas eram como galhos sêcos de árvores
Contorcidas, endurecidas e desnutridas
 
Os dentes cariados
Causavam muito sofrimento
O buraco de cada uma das cáries era tão grande
Que cabia dentro até um elefante
 
A casa da bruxa estava caindo aos pedaços
Tudo em ruínas, só o bagaço
Mas era charmosa
E muito cheirosa
 
A velha bruxa na cadeira de balanço
Sonhava em solavanco
Com o Conde Drácula dançando um tango
Malvina Cruela cozinhando moela
E a rainha da Branca de Neve morando no alto da favela
Ao lado da Malévola irmã dela
E inimiga mortal de Cinderela!
 
-Simone- 

DIA DE AULA

 
A mãe vem e chacoalha a criança debaixo do cobertor
Que só abre os olhos imediatamente mesmo
Se estiver atormentada num pesadelo de dar terror
 
A criança reclama que ainda é cedo demais
Mas a mãe diz que o horário de ir para a escola já está ficando quase é prá trás
Chega de enrolação, menina!
Mãe dá mais um minutinho
Deixe-me ter mais um soninho, mesmo que seja miudinho!
 
Menina, o café está esfriando na mesa!
Eu sei mãe que deve estar uma beleza
Levantarei logo, com certeza!
 
Meia hora se passa e nada da criança levantar
Minha filha, há que horas você irá para a escola?
Na hora do jantar?
Vamos, esta sua preguiça já não dá mais para aturar
Vou é te colocar debaixo da água fria do chuveiro e te escovar!
 
A criança sai das cobertas cambaleante
Tropeça
E quase quebra o nariz no chão
Mas feliz, já sente o cheiro do pão
Senta na mesa e vendo tudo gostoso
Faz finalmente cara de satisfação
 
Coloca o uniforme escolar
Atravessa a alça da lancheira no pescoço
Ajusta os sapatos
Os nós estão sempre encrencados
Sai correndo, mal dá tempo para dar na mãe um abraço
A menina diz:
"Aí que vida dura! Parece até feita de aço!"
 
Quando chega à escola
A menina sente um frio na barriga
Esqueceu de fazer a lição de casa
Com mêdo de levar uma bronca da professora
Queria naquele momento era criar asa
 
Na sala de aula
Senta na cadeira meio trêmula
A professora de matemática chega
Com cara de poucos amigos
A menina pensa:
"É hoje que ela vai me transformar em chouriço!"
 
Para o azar da menina
Foi a primeira na lousa a ser chamada
Fez um sinal de Padre Nosso
Cabisbaixa caminhou para o quadro negro
Tão nervosa que o olho ficou de imediato vesgo
 
A equação na lousa era daquelas cabeludas
Olhou para a professora
Que tinha sobrancelhas grossas e pontiagudas
Viu que não tinha saída
De coragem se fez imbuída
 
O suor escorria-lhe o rosto
Tamanho era-lhe o enrosco
Colchetes, parênteses, chaves
Adição, subtração, divisão, soma
A menina de tão tensa já estava entrando em franco estado de coma
 
Assim que terminou a conta
Rodopiou tonta
O silêncio na sala de aula era absoluto
Parecia dia de luto
A menina paralizada com o giz na mão
Que derretia-lhe entre os dedos feito massa da pão
 
A professora conferiu o resultado
A menina pensou:
"Mas que demora é esta! Que diabo!"
Finalmente o veredito veio
A menina acertou tudo
Se livrou do relho
 
Foi um dia de glória
Depois também na aula de História
O sinal do recreio veio
E a menina com as coleguinhas sentou
Para comer mortadela com pão de centeio
 
Horas mais tarde
Era o fim do dia letivo
Chega daquele cheiro de borracha e cola
Estava livre para tomar coca-cola
E abraçar a mãe no portão da escola
 
No caminho de volta
A menina contou para a mãe sobre os eventos da aula de matemática
Situação que parecia fadada a terminar trágica
Mas que se resolveu quase como um passe de mágica
A mãe um abraço entusiasmado lhe deu
A menina nos olhos dela puro orgulho reconheceu
A amizade delas nunca se perdeu
E o amor partilhado para sempre se fortaleceu
 
-Simone-
 

O PODER DAS PALAVRAS...

 
As palavras podem dar asas
Ser luz
Caminho
Mudança
Esperança
 
As palavras podem ser armas
Dilaceram como lâmina
Aprisionam
Causam dissabor
 
As palavras que vem de nós
Têm o poder de herói ou algoz
Podem atar ou desatar nós
Ou causar uma dor atroz
 
As palavras podem libertar
Aliviar, consagrar
Fazer amar
 
As palavras podem humilhar
Despedaçar
Paralizar
Desestabilizar
 
As palavras podem reconstruir
Redimir
Fazer rir
Se doces... até fazer dormir
 
O poder das palavras é imenso
As vezes elas são ditas em silêncio
As vezes são arremeçadas como flechas
Nas entrelinhas deixam brechas
Abrem chagas
Deixam marcas
Conduzem como barcas
 
É preciso sabedoria nas palavras
Sentimento
Para promover entendimento
E desfazer ressentimento
 
Faça um bom uso delas
Não importa se eruditas ou singelas
O que importa é que elas sejam belas na essência
E que continuem a ecoar mesmo na ausência
 
Use as palavras para elogiar
Ao invés de castigar
As palavras traduzem sentimentos
Que sejam eles de alento
Não de tormento
 
Palavras podem ter o poder de cartas de alforria
E fazer nascer uma nação imersa em alegria!
 
-Simone-

FOTOS DE FAMÍLIA...

 
Fotos de família
São um livro de história aberto para ser contado
 
Testemunho vivo
Do desdobramento da vida
 
Cada pessoa é uma história
Uma história se soma à outra
Quando todas se encontram nas intersecções
O grupo de pessoas que compõem a fotografia
É um livro que se cria
 
As gerações se misturam
Numa metamorfose perfeita
 
As pessoas tornam-se imortais nas fotografias
As expressões faciais, o jeito que posaram para o retrato
Tem uma energia de interação, de envolvimento com a gente que olha para elas
Queremos saber delas, temos curiosidade
E elas falam conosco através da imagem de si próprias que deixaram
 
Sinto uma ligação afetiva com fotos antigas em especial
Mais antigas são, mais elas me atraem
Quando olho para elas
Sou transportada
Deixo-me ir à deriva no barco do tempo
É uma sensação fascinante
Flertar com um tempo que não é o meu
 
Cartas antigas também contam uma história
A história de quem as escreveu
Mas as fotografias tem uma força de expressão inigualável
O rosto humano mesmo na inércia da fotografia
Fala mais do que as palavras escritas
As palavras podem ser maquiadas
Mas os olhos humanos são a verdade
Pura e simples
Não há disfarce que esconda
A personalidade, vontade e emoções deles!
 
-Simone-

PARABÉNS Á TODAS AS MULHERES AO REDOR DO MUNDO!



Parabéns à todas as mulheres boas mães, filhas, irmãs, amigas, profissionais, esposas. Mulheres que lutam para ter a própria voz, que amam, que são sábias, educam, germinam novas vidas, que são justas, generosas, companheiras, corajosas, empreendedoras, cuidadoras, valentes, talentosas, mulheres de fé, íntegras, criativas, cheias de personalidade, de bom humor, orgulhosas por serem mulheres e que nos momentos mais difíceis ainda têm uma palavra positiva para dizer, um abraço para acolher e uma determinação para vencer. Mulheres são as rodas que movem o mundo e as menssageiras da paz e do amor. Obrigada a todas as mulheres que fizeram e fazem parte da minha vida, por tanto aprendizado, sabedoria e amor compartilhados!
 
-Simone-