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CONTO DA VELHA BRUXA


 
A velha bruxa
Saiu da ducha
E foi sentar-se na cadeira de balanço
Adormecendo ao som de gritos de ganso
 
Ela estava cansada a coitada
Viajou demais na vida
A coluna entrevada
A memória quase apagada
E a vassora espatifada
 
Queria gozar dos últimos anos em casa
Em companhia das assombrações
Criando receitas de novas poções
E fazendo a festa dos ratos nos porões
 
A bruxa gostava de ficar de chinelo
Resolveu finalmente aposentar os sapatos de fivela
Que esmagavam todos os calos dela
As varizes nas pernas eram como galhos sêcos de árvores
Contorcidas, endurecidas e desnutridas
 
Os dentes cariados
Causavam muito sofrimento
O buraco de cada uma das cáries era tão grande
Que cabia dentro até um elefante
 
A casa da bruxa estava caindo aos pedaços
Tudo em ruínas, só o bagaço
Mas era charmosa
E muito cheirosa
 
A velha bruxa na cadeira de balanço
Sonhava em solavanco
Com o Conde Drácula dançando um tango
Malvina Cruela cozinhando moela
E a rainha da Branca de Neve morando no alto da favela
Ao lado da Malévola irmã dela
E inimiga mortal de Cinderela!
 
-Simone- 

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