Total Pageviews

DIA DE AULA

 
A mãe vem e chacoalha a criança debaixo do cobertor
Que só abre os olhos imediatamente mesmo
Se estiver atormentada num pesadelo de dar terror
 
A criança reclama que ainda é cedo demais
Mas a mãe diz que o horário de ir para a escola já está ficando quase é prá trás
Chega de enrolação, menina!
Mãe dá mais um minutinho
Deixe-me ter mais um soninho, mesmo que seja miudinho!
 
Menina, o café está esfriando na mesa!
Eu sei mãe que deve estar uma beleza
Levantarei logo, com certeza!
 
Meia hora se passa e nada da criança levantar
Minha filha, há que horas você irá para a escola?
Na hora do jantar?
Vamos, esta sua preguiça já não dá mais para aturar
Vou é te colocar debaixo da água fria do chuveiro e te escovar!
 
A criança sai das cobertas cambaleante
Tropeça
E quase quebra o nariz no chão
Mas feliz, já sente o cheiro do pão
Senta na mesa e vendo tudo gostoso
Faz finalmente cara de satisfação
 
Coloca o uniforme escolar
Atravessa a alça da lancheira no pescoço
Ajusta os sapatos
Os nós estão sempre encrencados
Sai correndo, mal dá tempo para dar na mãe um abraço
A menina diz:
"Aí que vida dura! Parece até feita de aço!"
 
Quando chega à escola
A menina sente um frio na barriga
Esqueceu de fazer a lição de casa
Com mêdo de levar uma bronca da professora
Queria naquele momento era criar asa
 
Na sala de aula
Senta na cadeira meio trêmula
A professora de matemática chega
Com cara de poucos amigos
A menina pensa:
"É hoje que ela vai me transformar em chouriço!"
 
Para o azar da menina
Foi a primeira na lousa a ser chamada
Fez um sinal de Padre Nosso
Cabisbaixa caminhou para o quadro negro
Tão nervosa que o olho ficou de imediato vesgo
 
A equação na lousa era daquelas cabeludas
Olhou para a professora
Que tinha sobrancelhas grossas e pontiagudas
Viu que não tinha saída
De coragem se fez imbuída
 
O suor escorria-lhe o rosto
Tamanho era-lhe o enrosco
Colchetes, parênteses, chaves
Adição, subtração, divisão, soma
A menina de tão tensa já estava entrando em franco estado de coma
 
Assim que terminou a conta
Rodopiou tonta
O silêncio na sala de aula era absoluto
Parecia dia de luto
A menina paralizada com o giz na mão
Que derretia-lhe entre os dedos feito massa da pão
 
A professora conferiu o resultado
A menina pensou:
"Mas que demora é esta! Que diabo!"
Finalmente o veredito veio
A menina acertou tudo
Se livrou do relho
 
Foi um dia de glória
Depois também na aula de História
O sinal do recreio veio
E a menina com as coleguinhas sentou
Para comer mortadela com pão de centeio
 
Horas mais tarde
Era o fim do dia letivo
Chega daquele cheiro de borracha e cola
Estava livre para tomar coca-cola
E abraçar a mãe no portão da escola
 
No caminho de volta
A menina contou para a mãe sobre os eventos da aula de matemática
Situação que parecia fadada a terminar trágica
Mas que se resolveu quase como um passe de mágica
A mãe um abraço entusiasmado lhe deu
A menina nos olhos dela puro orgulho reconheceu
A amizade delas nunca se perdeu
E o amor partilhado para sempre se fortaleceu
 
-Simone-
 

No comments: