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BATE-PAPO ENTRE BONECAS...


 
As bonecas sentaram-se todas juntas para uma conferência
Estavam angustiadas para falar sobre a vida que estavam levando
As donas, ao que parecia, andavam deveras relapsas

Uma das bonecas queixou-se
Que a menina que a possuía
Tinha a mania de passar uma escova com hastes de metal
Nos cabelos dela com tamanha força
Que suas madeixas estavam sendo puxadas
Ao ponto da cálvicie absoluta!

A outra boneca disse que havia perdido um dos seus olhos de vidro azuis
A dona os ficava cutucando com o dedo indicador
Como que querendo xeretar se a boneca
Escondia algum segredo por detrás deles
A boneca precisava com urgência marcar uma consulta
No Hospital de Bonecas Avariadas

A outra boneca
Com vestido de Maria Antonieta
Desabafou que sua dona
A arrastava pelo chão empoeirado
E que ela estava com tosse constante
E o vestido de seda esfarrapado

Uma boneca rechonchuda contou que havia perdido sua casa
A dona resolveu morar da casa dela
Só que o espaço para as duas era tão mínimo
Que as paredes da casa voaram pelos ares
A casa foi para o saco de lixo
E a boneca andava dormindo ao relento
E ainda com a meia calça com um rombo enorme no meio

Quantas mazelas na vida destas pobres bonecas...
Elas queriam ir para o colo de outras meninas
Meninas cuidadosas, carinhosas, caprichosas
Não aquelas destrambelhadas criaturas
Que eram suas donas atuais
Queriam protestar e fazer a revolução das bonecas

Seguem-se as reivindicações delas:

. casa de boneca nova e mobiliada
. vestidos de seda lavados, passados e engomados
. cabelos tratados com cuidado, creme e fita
. passeios no jardim nos fins da tarde
. chá inglês com bonecas estrangeiras uma vez por semana
. abertura de um sindicato das bonecas
. delegacia das bonecas para denunciar maus-tratos
. atendimento sem fila no Hospital das Bonecas
. proteção anti-baba de cachorro e gato
. férias e retiro 6 semanas por ano

Ao final da reunião
E munidas da ata
As bonecas foram cada qual para a sua dona
Bateram o pé
Umas com sapato de fivela e outras sem
E fizeram as donas
Prometerem que seriam boas
Senão elas cometeriam suicídio coletivo
Na primeira fogueira de São João que achassem pela frente
Preferiam morrer derretidas
Do que aguentar aquelas meninas insuportáveis
Temperamentais e desleixadas

Depois da revolução das bonecas
As donas nunca mais foram as mesmas
Passaram a tratar as bonecas com primor
E ilimitado amor

Assim, as bonecas viveram felizes
Agora sim tinham um futuro garantido
Até as donas ficarem velhinhas
E com as pernas cheias de varizes!

-Simone-



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