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DIA DE VENTANIA...


A tempestade avisou que estava chegando
Pedindo para uma grande ventania dar o recado
Num sopro foi tudo carregando
 
Mães e filhos saiam em tropas das casas
Para resgatar as roupas nos varais
Até mesmo rolaram pelo chão os castiçais
 
Galhos de árvores voavam em desvairada correria
Miava alto chamando a ninhada a gataria
 
Os gramados pareciam cabelos em desalinho
Passarinhos bravamente tentavam salvar cada qual o seu ninho
 
As saias das mulheres se enchiam feito balões
Os homens que para elas olhavam torto
Quase levavam uns bofetões
 
A força do vento era tanta
Que até mesmo os velhinhos
Perderam suas perucas
Muito frio sentiram por detrás das desnudas nucas

Guarda-chuvas viraram do avesso
Sacolas dando piruetas no ar
Era um abre e fecha alucianado das portas  de todo e qualquer bar
Noivas perdiam suas grinaldas no altar

Os insetos mudaram à contra-gosto os seus endereços
As pequenas recém-nascidas ararinhas os seus berços
Os besouros pelas calçacas eram carregados
Em tropeços

Neste dia de louca ventania
Completa foi a anarquia
Assim que a tempestade passou
A cidade virou um mar de quinquilharia.
E agora para limpar tudo isto
Como vai ser?!
Oh, minha Virgem Maria!

-Simone-
 


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