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HOSPITALIDADE...


Sempre penso na hospitalidade das pessoas humildes
Elas podem achar que não têm muito à oferecer
Porque moram numa casa singela
A comida é pouca
As roupas que vestem sem requinte
Mas o que elas podem não saber
É que, de fato, têm muito mais para dar
Do que imaginam
 
Elas têm a fortaleza de sinceridade
A riqueza do calor humano
O charme do carisma
A abundância do ser gente boa
Gente com substância
Gente sábia
Gente humana!
 
As casas, não importa quão luxuosas possam ser
Um dia ficam velhas
A comida hoje pode estar sobre uma mesa farta
Amanhã já foi parar no estômago, reciclada
Desaparece no processo de digestão
As roupas de grife mudam de moda
Moda é passageira
Hoje o que está no top
Amanhã é chamado de ultrapassado
 
Mas o material humano
A substância que vem de dentro
O recheio
Isto não envelhece
Não apodrece
Não vira velha guarda
Isto preenche vidas com alegrias
Sabedoria
Coragem
É aquele cobertor abençoado
Quando se está com frio
É aquele bálsamo
Quando se está perdido
É aquele arco-íris
Depois da tormenta
 
Calor humano
É casa, comida e vestimenta
Não é bem perecível
Não tem data de validade
Mas sim certificado de autêntica qualidade
 
Lembro-me dos parentes de minha mãe de Santa Catarina
Estavam sempre com as janelas, portas e braços abertos
Para quem chegasse
Colocavam a mesa de fim de tarde cheia de coisas gostosas
Como sinal de boas vindas
Reuniam-se ao redor da mesa para conversar
Partilhar histórias, memórias
Lágrimas de saudade
E risos de felicidade
 
Não me lembro os detalhes das casas deles
Como estavam vestidos
Ou quais foram os pratos que serviram
Mas lembro cristalinamente
Os abraços bem dados
Os olhares de quem olha
Sorrisos largos
Gestos de amor em liquidação
 
Era tudo tão natural
Tão hospitaleiro
Tão generoso
Tão despretencioso!
 
-Simone-

O NOSSO TEMPO É O AQUI E O AGORA...


É um novo dia que começa
Numa realidade já acordando com pressa
Pressa de ganhar o pão de cada dia
Pressa de realizar sonhos
Pressa de amar
Pressa de viver
Pressa de nascer
Pressa de driblar o morrer
Para ter a chance de testemunhar
Mais um dia alvorecer
E com o passar das horas... o anoitecer...
 
O que nos reserva neste dia
É uma roleta-russa
Tudo pode acontecer
A vida é cheia de surpresas
Incertezas
Reviravoltas
Sustos
Luzes
Sombras
Tropeços
Tombos
Começos
Preços
 
Se vai ser um dia de intenso sol
Ou povoado de trovoadas
Uma coisa é certa!
O tempo do mundo
Que vive dentro da gente
Este a gente pode determinar o que será
Cabe à nós transformar esta atmosfera interna
Para uma realidade
Onde mora a genialidade
A criatividade
A fertilidade do o que se quer ser
Do que se quer fazer
Do que se quer mudar
Do que se quer se aventurar
Sobretudo.... revolucionar!!!
 
Nos foram dados uma vez mais
No nosso amanhecer
Caneta e papel em branco
Mesmo sem a borracha para apagar o que passou
No papel em branco a gente pode
Recomeçar de onde parou
E desenhar novas avenidas
Atalhos, pontes
Desvios, vias expressas
Inventar novos destinos
Novas travessas
 
As possibilidades de reinvenção do nosso viver interno
São inúmeras
E quando a gente muda o mundo de dentro
A gente transforma o mundo de fora
Assim, está nas nossas mãos o que será o hoje
Vamos! Tem pressa a hora!
Cada tentativa de adiar o caminhar do tempo
É uma oportunidade preciosa do viver que vai embora
Nossos momentos de revolucionar
São os exatos
Aqui e agora!!
 
-Simone-
 
 


DEVANEANDO COM O MAR...


As conchas ancoradas na areia
Trouxeram os segredos do mar
Elas falavam sobre mudanças de humores
E uma grande diversidade de sabores
 
As conchas deixaram-se levar pela maré
Numa dança de idas e vindas
Calmarias e maresias
 
O mar de braços abertos
Profundo como os sonhos bem sonhados
Berço dos navios naufragados
Morada dos que se perderam desesperados
 
O mar calou muitas vozes
Viveu no meio de tempestades atrozes
Acolheu as ambições de bravos navegantes
Levou para longe os retirantes
 
As conchas guardavam as canções do mar dentro delas
Algumas tristes outras singelas
Graciosas como Cinderelas
Coloridas feito uma coleção de aquarelas
 
Seres marinhos
No oceano fizeram seus ninhos
Com a destreza e delicadeza dos passarinhos
 
Gaivotas povoavam os céus
Procurando abrigo nas encostas
Onde o oceano quebrava-se em pedaços prateados
Quando os raios de sol neles reluziam
Tornavam-se brilhantes como o pelo de cavalos andaluzes
Degradê de incandescentes luzes
 
O mar gostava de metamorfosear-se no passante dos dias
Como  um orgulhoso estandarte da natureza
Que dissipava nele a aspereza
No balançar da desafiadora correnteza
De impressionante beleza
 
O vai e vem do mar
Nunca terá planos para deste prazer abdicar
Ele gosta da areia acariciar
E as rochas açoitar
A alquimia da sua essência
Faz ele viver na eterna adolescência
Majestosa é sua imponência
Deslumbra sua audiência
Inquestionável eloquência
Desafeito à obediência
Nascido para o além da inocência...
 
-Simone-


GENTE SIMPLES


 Gente simples que vive na roça
Tem a beleza dos bons
A hospitalidade dos puros
A sinceridade dos virtuosos
Para quem a vida é sentida com aspereza
Mas encarada com fortaleza

Antes mesmo do dia acordar
O café já está passado na mesa
Um rosto cansado imóvel diante do fogão
Talhado por uma vida de experiências árduas
Olhar perdido atravessando as frestas da janela
Expressão de profundidade singela
Pela casa um cheiro gostoso de canela
Sinos dormindo na capela

Todos saem em marcha para o campo
As enxadas esperam as mãos calejadas
Para acariciar o solo bruto
Engravidando-o todos os dias de um novo fruto
Quando a colheita é perdida
A dor é sentida como luto
O silêncio nascido do desgosto é absoluto

Na hora do descanso merecido
Os homens se deitam debaixo da sombra das árvores
Para fumar um cigarro de palha
As mulheres vão para os rios
 Esfregar as roupas encardidas de pó
Alí cada uma em sonhos e agruras sente-se só

Galinhas, patos, vacas e porcos
Transeuntes constantes dos caminhos turtuosos
De chão batido
Sempre em alerta
Cada um vivendo na constante ansiedade
De qual será o próximo a ser abatido

Os dias são regados por um sol ardido
As noites abençoadas por um céu de estrelas cravejado
Os justos dormem o sono dos atordoados
A incerteza da vida é o fantasma dos angustiados

Gente simples
Que vive nutrida de felicidades breves
 Com o pouco que tem se contenta
Contanto que a saúde seja uma benção diária
Nesta realidade agrária

Gente simples
Professores catedráticos de ímpar sabedoria
Educadores do sobreviver
Do acordar da vida
Na jornada do crescer e envelhecer
Até ao cair do sono do morrer

-Simone-


A VIDA É FEITA DE REMENDOS...

 Remendo-me com a melhor agulha e linha que tenho. Os anos passaram e com eles as intempéries da vida causaram-me rugas, dobras, buracos, rasgos, quase que deixaram-me uma maltrapilha. Cada vez que costuro o rombo de uma dor, disfarço a aspereza das dificuldades vividas, eu cicatrizo o tecido do qual sou feita. Não posso mais ter a superfície do meu corpo em perfeito estado, com todas as partes como se tivessem sido feitas sob medida, mas meus remendos provam também os desafios que superei e mesmo em trapos, ainda tenho uma vida dentro de mim para ser saboreada. Isto é o que importa! Não costuro só o que foi danificado, mas cada vez que laçeio a passagem da linha, eu rejuvenesço meus sonhos, me dou uma nova chance de ter esperanças de mais tempo para reinventar-me. A vida é assim, feita de remendos! Mesmo que os pontos sejam imperfeitos, ainda sim, a costura é a engenharia que faz da existência a estória de um bordado de um valor único.
-Simone- 
 

DIA DAS BRUXAS!!


Dia das bruxas
Noite dos arrepios
Gargalhadas no céu
Poções temperadas com fel
 
Com seus vestidos longos
Chapéus pontiagudos
 Meias-calças listradas
E sapatos de fivela
As bruxas estão sempre na última moda
Em cada esquina da mais mal assombrada viela
 
Voando nas suas possantes vassouras
 E decorando-as até mesmo com lantejoulas
As bruxas viajam por longas instâncias
Para reencontrar suas parentes
Grande parte com fama de serpentes
E bocas enfeitadas de severa falta de dentes
 
Apesar da má fama que têm
As bruxas são senhoras engraçadas
De espírito livre
Inatas cozinheiras
 De magia engenheiras
Com seus caldeirões
Repletos de estranhas receitas de maldições
Elas balançam seus quadris
Largos como botijões
 
Suas casas mal assombradas
Com morcegos sobrevoando a chaminé
E fantasmas que durante a noite gostam de um cafuné
Estão sempre cheias de convidados ilustres
Como Conde Drácula e Frankenstein
Um vem das montanhas da Transilvânia
O outro do laboratório de um cientista louco
Dizer que estes dois foram as maiores estrelas de filmes de horror é pouco
 
Neste Dia das Bruxas
Estas senhoras feitiçeiras
Reuniram a criançada para contar estórinhas lengendárias
Das antepassadas centenárias
As crianças ficam encantadas
Com as estórias assombradas
 
Depois de sobremesa
As bruxas preparam muitas guloseimas para a garotada
Que com a quantidade de gostosuras exóticas fica abismada
 
O Dia das Bruxas
É um dia mesmo muito festivo
Dizer que causa pesadêlos é um equívoco
É um dia para brincar com a imaginação
E aprender a recitar receita de poção
Ser feliz e ser criança é de casa a lição
Vamos extravasar toda e qualquer boa emoção
E com uma varinha de condão
 Hipnotizar o coração!
 
-Simone-