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GENTE SIMPLES


 Gente simples que vive na roça
Tem a beleza dos bons
A hospitalidade dos puros
A sinceridade dos virtuosos
Para quem a vida é sentida com aspereza
Mas encarada com fortaleza

Antes mesmo do dia acordar
O café já está passado na mesa
Um rosto cansado imóvel diante do fogão
Talhado por uma vida de experiências árduas
Olhar perdido atravessando as frestas da janela
Expressão de profundidade singela
Pela casa um cheiro gostoso de canela
Sinos dormindo na capela

Todos saem em marcha para o campo
As enxadas esperam as mãos calejadas
Para acariciar o solo bruto
Engravidando-o todos os dias de um novo fruto
Quando a colheita é perdida
A dor é sentida como luto
O silêncio nascido do desgosto é absoluto

Na hora do descanso merecido
Os homens se deitam debaixo da sombra das árvores
Para fumar um cigarro de palha
As mulheres vão para os rios
 Esfregar as roupas encardidas de pó
Alí cada uma em sonhos e agruras sente-se só

Galinhas, patos, vacas e porcos
Transeuntes constantes dos caminhos turtuosos
De chão batido
Sempre em alerta
Cada um vivendo na constante ansiedade
De qual será o próximo a ser abatido

Os dias são regados por um sol ardido
As noites abençoadas por um céu de estrelas cravejado
Os justos dormem o sono dos atordoados
A incerteza da vida é o fantasma dos angustiados

Gente simples
Que vive nutrida de felicidades breves
 Com o pouco que tem se contenta
Contanto que a saúde seja uma benção diária
Nesta realidade agrária

Gente simples
Professores catedráticos de ímpar sabedoria
Educadores do sobreviver
Do acordar da vida
Na jornada do crescer e envelhecer
Até ao cair do sono do morrer

-Simone-


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