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A VIDA NÃO TEM TEMPO PARA DESCANSO...


Acordar cedo todo dia
Para tomar café fresco na padaria
A cabeça ainda atordoada
Depois de uma fria chuveirada
 
O dia já começa com pressa
Sem paciência de parar
Cada minuto que passa virou do passado uma promessa
Prorrogar os sonhos, deixa dessa!
 
Todo mundo ocupado
Ainda recém acordado de um sono preocupado
De trabalho assoberbado
Rezando por férias com cara de culpado
De estresse intrincheirado
 
Todo mundo se move feito peça na esteira
De uma fábrica de montagem
As mulheres andam nas ruas retocando a maquiagem
Todo mundo com expressão vazia
Escondendo as emoções sob camuflagem
 
Pensamentos viajando em mundos sem donos
No mercado financeiro todo mundo sonhando com um bônus
Escravidão da subsistência
Demanda um bocado de penitência
Esta é a lei da sobrevivência
Se exige competência
 
Bons eram os tempos de adolescência
Quando a prioridade era estudar os mistérios da Ciência
Sem se exigir muita proficiência
Tempo de atitudes sem pensar na consequência
Vida em efervescência
Sobre as agruras da vida ainda inocência
Emoções livres em turbulência...
 
-Simone-
 


A DONA-DE-CASA...


A dona-de-casa
Lavava
Cozinhava
 Dobrava
Costurava
Chuleava
Na cozinha, no quarto, no banheiro, na sala
Incansavelmente trabalhava
Cuidava das crianças muito bem
Mesmo que estivesse de cansaço estraçalhada
Dava um show de palhaçada
Esperando no fim de tantos esforços Hérculeos
 Pelos pequenos uma boa abraçada
Dedicada também era ao marido
Fazia as comidas que gostava
Remendava cada meia que vinha furada
Arrumava a papelada que ele deixava sempre alvoroçada
Tarde da noite acordada o esperava
A casa estava sempre à postos por ela
Para ser arrumada
Coisas não faltavam para deixá-la até o talo atarefada
Procurava ser sempre muito organizada
Para não se deixar soterrar pela bagunçada
A dona-de-casa
Era chamada a rainha do lar
Por vezes de tão exasperada queria deste abdicar
Mas sua paciência de Jó lhe dizia:
"Calma dona-de-casa
Depois da tormenta sempre vem a calmaria!"
E assim ela ia
Exercitando-se na sua domiciliar academia
Todo o dia era uma nova maratona
A casa tinha perfume de azeitona
A dona-de-casa as vezes era apelidada de mandona
Sonhava em passar umas boas férias em Barcelona
Ou dormir por um mês sem interrupção
Na mais confortável poltrona
Agora vamos deixar a dona-de-casa descansar
Não devemos a paciência dela abusar
Ela pode se enfezar
E o ferro de passar na nossa cabeça arremessar
Não dá para esperar que esta mulher
Que faz das tripas coração
Tenha tamanho sangue de barata
Já perdera a conta das tantas milhares de vezes que descascou uma batata
Não importava o quando ela se esforçava
Não precisava de nada para a casa
 Ficar tudo de novo de sujeita impregnada
Deixando-a desesperada
Tentada a bater em retirada
Quando se via por aquela avalanche
De balbúrdia entrincheirada
Sua lista de coisas à fazer
Tinha desde regar as plantas até traça com veneno liquefazer
Se tinha momentos de lazer?
Bom é melhor esta pergunta nem à tona trazer
Caso contrário ela lhe rogará uma praga de maldizer
A coitada estava com o esqueleto a apodrecer
Depois de trabalhar tanto
Da alvorada do dia até a escuridão do anoitecer...
Esta mulher era um fortaleza de paciência e bravura
Tinha na essência muita candura
Mas quando estava com a coluna de exaustão dura
Perdia a compostura
Deixava quem viesse lhe atazanar a mente
Enrolado em atadura
É pedir demais manter a candura
Após um dia de tanta agrura
A coitada perde mesmo a compostura
Esperando at eternum para ela
A abolição da escravatura
-Simone-


A PORTA...

 

 
A porta fechou
Possibilidades encerrou
Sonhos sufocou
Encontros frustrou
Esperanças aniquilou
Boas-vindas cancelou
 
Deixou o tempo do lado de fora
Memórias de outrora
Raios de sol da aurora
Vidas foram embora
Última Teodora
 
Silenciado ficou o momento
Congelado ressentimento
Interrompido advento
Claustro de um convento
Cores em desfalecimento
Amordaçado sentimento
Arrebatado pelo vento
Dos esquecidos monumento
 
-Simone-
 
 

O BROCHE

 
 
 Era uma vez um broche
Que foi encontrado escondido no fundo
De um velho cofre
 
O broche era elegantemente talhado
Feito de madrepérula
Delicado como a asa de uma libélula
 
A imagem gravada no broche
Era de uma moça singela
Com expressão de Cinderela
 
Os cabelos cacheados
Envolvidos delicadamente em ornamentos
Pareciam até de uma mocinha saída do convento
 
Um lindo colar
Repousava em seu magestoso pescoço de anjo barroco
Ela tinha ares de realeza
Moça de incomparável beleza
 
Qualquer que tenha sido
A pessoa que usou o broche na lapela
Muito orgulho sentiu
Porque guardou-o cuidadosamente num pedaço de flanela
Raro e lindo tesouro como nunca se viu.
 
-Simone-


CERIMÔNIA DE CASAMENTO....


O casamento foi planejado
Com pompa e circunstância
Mas no andar da carruagem
Já dava para perceber grandes tragédias à distância

A noiva demorando demais a chegar
O noivo trançando as pernas no altar
Estava numa ressaca de amargar

O futuro sogro lhe deu um safanão de reprovação
Porque à cada moça que chegada na procissão
O noivo lascava um olhar de espertalhão

A mãe da noiva coitada
Estava com os nervos em frangalhos
Tinha que casar logo a filha
Afinal, em casa, de moça encalhada
Havia ainda uma pilha

O noivo estava longe de ser um partidão
Mas na falta de outros pretendentes
O fato de este ter aparecido
Já era motivo para orações de gratidão
Apesar de ele ser quase um cinquentão
Conservava ares de tremendão

Os convidados inquietos no banco da igreja
Não paravam de comentar sobre os bastidores das famílias no altar
Era assunto interessante demais
Para uma boa fofoca sufocar
A língua deste povo
Não era de se subestimar
Qualquer coisa que tivesse um q de supeita 
Dava conta de cada língua com esmero afiar

O padre não aguentava mais a cerimônia esperar
Já estava quase desistindo de o casal abençoar
Mas não se admiraria se o casamento fosse para o espaço
Na carreira dele, já perdera as contas das quantas vezes
Que teve a espinha a arrepiar
Pelas barbaridades que testemunhou dos noivos e associados
Ao pé do altar

Duas horas depois a noiva chegou
Na correria de pular fora do carro
O vestido na porta enguiçou
Foi um deus nos acuda
Para destravar o véu que rasgou
Quando estava finalmente para entrar na igreja
Uma criança uma casca de banana no chão jogou
A noiva desavisada na casca de banana escorregou
As pernas foram para os ares
De repente naquela situação constrangedora
Se viu cravejada de desdenhosos olhares
Todo mundo caiu na gargalhada
Aquele casamento havia virado uma completa palhaçada

Mas a noiva levantou-se e resgatou sua compostura
Embora rasgado e sujo o vestido estivesse em cada costura
Deixando as tribulações para trás
A noiva imbuída de total dignidade
Recuperou por completo a sanidade
 Para abraçar dos votos a santidade

O noivo estava tão bêbado
Que viu duas noivas ao invés de uma
Depois da oração do padre ele disse
Em alto e bom tom:
"Pode deixar que eu caso com as duas!!!"

A noiva ficou tão ultrajada
Que deu na cabeça do noivo com a grinalda
Uma boa marretada
A sogra com cara de serpende
Tentou arrancar da pobre noiva cada dente
Por ter abandonado seu filho
Que havia sido o único a aceitar ser o seu pretendente

A noiva saiu da igreja aos risos
Os convidados todos ficaram pasmos
Os queixos despencaram e de tão caídos
Das bocas dava para ver claramente os sisos
A noiva daquela cidade impregnada de preconceito
Deu no pé sem dizer "eu aceito"

Desencalhou-se com um rapaz bem bonitão
Estava aliviada de deixar para trás aquele ex-noivo bobalhão
Casou sem um tostão
Mas viveu feliz da vida
Como se tivesse ganho na loteria um milhão

Certa estava ela de seguir com a própria vida
Ficar longe daquela gente enxerida
Hipócritas sob medida
E de moral destituída!
-Simone-


ALMA DA VIDA

 

A alma da vida
É feita de dias ensolarados
Dias de tempestade
Com trovoadas e raios
Dias de inverno
Quando tudo parece árido, inerte, pálido
Dias de outono
Transformação, metamorfose
Dias de primavera
Diversidade de cores, perfumes e sabores
 
A vida pode ser áspera e suave
Delicada e austera
Afeita à humores voláteis
Luz e sombras
Tristezas e alegrias
Despedidas e reencontros
Nascimentos e perecimentos
 
A alma da vida
É temperada com todos os tipos de sentimentos
Ela se move para todas as direções
É inquieta nas suas razões
Imprevisível nas suas decisões
 
A alma da vida ensina
Faz pensar, sentir e crescer
Abre os olhos
É mistério e revelação
É caminho em construção
 
-Simone-


VIDA DE CONTOS-DE-FADA...

 
Menina de olhos inocentes
Parecia uma princesa dos contos-de-fadas
Aquelas que começavam sofrendo nas mãos dos vilães
E terminavam pelos valentes príncipes bem amadas...
 
O mundo dela era um reino de fantasias
No seu quarto as bonecas viviam em anarquia
À estórias fantásticas ela apaixonada se prendia
Era um cenário novo a cada dia...
 
Ancorada na sua imaginação ela seguia
Interesse em tudo ao redor ela via
Ao criar seus próprios enredos ela ria
 
Assim...
 
Feliz da vida ela vivia.
 
-Simone-