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CERIMÔNIA DE CASAMENTO....


O casamento foi planejado
Com pompa e circunstância
Mas no andar da carruagem
Já dava para perceber grandes tragédias à distância

A noiva demorando demais a chegar
O noivo trançando as pernas no altar
Estava numa ressaca de amargar

O futuro sogro lhe deu um safanão de reprovação
Porque à cada moça que chegada na procissão
O noivo lascava um olhar de espertalhão

A mãe da noiva coitada
Estava com os nervos em frangalhos
Tinha que casar logo a filha
Afinal, em casa, de moça encalhada
Havia ainda uma pilha

O noivo estava longe de ser um partidão
Mas na falta de outros pretendentes
O fato de este ter aparecido
Já era motivo para orações de gratidão
Apesar de ele ser quase um cinquentão
Conservava ares de tremendão

Os convidados inquietos no banco da igreja
Não paravam de comentar sobre os bastidores das famílias no altar
Era assunto interessante demais
Para uma boa fofoca sufocar
A língua deste povo
Não era de se subestimar
Qualquer coisa que tivesse um q de supeita 
Dava conta de cada língua com esmero afiar

O padre não aguentava mais a cerimônia esperar
Já estava quase desistindo de o casal abençoar
Mas não se admiraria se o casamento fosse para o espaço
Na carreira dele, já perdera as contas das quantas vezes
Que teve a espinha a arrepiar
Pelas barbaridades que testemunhou dos noivos e associados
Ao pé do altar

Duas horas depois a noiva chegou
Na correria de pular fora do carro
O vestido na porta enguiçou
Foi um deus nos acuda
Para destravar o véu que rasgou
Quando estava finalmente para entrar na igreja
Uma criança uma casca de banana no chão jogou
A noiva desavisada na casca de banana escorregou
As pernas foram para os ares
De repente naquela situação constrangedora
Se viu cravejada de desdenhosos olhares
Todo mundo caiu na gargalhada
Aquele casamento havia virado uma completa palhaçada

Mas a noiva levantou-se e resgatou sua compostura
Embora rasgado e sujo o vestido estivesse em cada costura
Deixando as tribulações para trás
A noiva imbuída de total dignidade
Recuperou por completo a sanidade
 Para abraçar dos votos a santidade

O noivo estava tão bêbado
Que viu duas noivas ao invés de uma
Depois da oração do padre ele disse
Em alto e bom tom:
"Pode deixar que eu caso com as duas!!!"

A noiva ficou tão ultrajada
Que deu na cabeça do noivo com a grinalda
Uma boa marretada
A sogra com cara de serpende
Tentou arrancar da pobre noiva cada dente
Por ter abandonado seu filho
Que havia sido o único a aceitar ser o seu pretendente

A noiva saiu da igreja aos risos
Os convidados todos ficaram pasmos
Os queixos despencaram e de tão caídos
Das bocas dava para ver claramente os sisos
A noiva daquela cidade impregnada de preconceito
Deu no pé sem dizer "eu aceito"

Desencalhou-se com um rapaz bem bonitão
Estava aliviada de deixar para trás aquele ex-noivo bobalhão
Casou sem um tostão
Mas viveu feliz da vida
Como se tivesse ganho na loteria um milhão

Certa estava ela de seguir com a própria vida
Ficar longe daquela gente enxerida
Hipócritas sob medida
E de moral destituída!
-Simone-


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