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A FOFOQUEIRA...


Era uma vez
Uma cidade pequena feito um ovo
Lá estava a fofoqueira no meio do povo
Toda vestida de roupas com cheiro de mofo

Como clássica fofoqueira
Tinha uma língua que trabalhava na velocidade de uma britadeira
Para não perder nenhum detalhe da vida alheia
Sempre enfurnada estava a fofoqueira
No salão da cabelereira
Na casa da bordadeira
No meio da roça com a carpideira
Na cozinha da merendeira
Até estacionada do lado da mãe dando para o filho a mamadeira

Dona fofoqueira
Observava à tudo e à todos sem exceção
Se fazia de beata na procissão
Mas por detrás das portas
Ouvia as conversas como se aquilo fosse ofício de uma profissão
Sua língua era tão venenosa
Que era capaz de causar choques de eletrocução

Não poupava nem a própria família
De quem invejava a mobília
E desconjurava a filha
Andava pela cidade feito uma pilha
Sua língua media mais do que uma milha

Foi levada ao cemitério quando morreu
Pressentindo o transtorno de seu descanso
O defunto vizinho se adiantou e escafedeu
Sua legendária língua, mesmo à sete palmos do chão
Continou ativa para a posteridade
Afinal, tagarelar era sua verdadeira afinidade
Imperiosa vaidade
Jamais deixou saudade

Finalmente a cidade ficou livre
Da fofoqueira belicosa atividade
Fonte de mediocridade
Provinciana mentalidade
Sem precedentes insanidade
Abominável anormalidade!

-Simone-

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