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O ÚLTIMO ASILO DOS INSANOS...



A casa dos loucos fechou
Pacientes se foram
Funcionários partiram
Luzes se apagaram

Mas naqueles longos corredores
Onde massas de pessoas passaram
A ausência da loucura
Não silenciou os gritos ou gemidos
A angústia ficou impregnada nas paredes

Do mundo de fora só entrou poeira
Folhagens
Insetos
Únicas testemunhas agora 
Da desolação deixada pela alma dos antigos passantes

Uma casa de loucos desativada
Assim como uma penitenciária
Não descansa na ausência de pessoas
Na ausência do frenesi dos dias
Estes são lugares onde o pulso da vida foi tão intenso em dissabores
Que a atmosfera fica engasgada em eterna agonia
Não consegue encontrar paz
Não consegue ser livre

Pessoas que viveram em longos períodos de isolamento
Em lugares onde as portas foram trancadas atrás delas
Que perderam o propósito no viver
E, especialmente, o contato com a humanidade do outro
Para sempre serão encarceradas, mesmo se um dia as grades forem retiradas
As portas forem destrancadas
As janelas abertas para a luz do sol entrar 
A natureza humana tem limites de suportar privações 
Existe um ponto no qual acontece a desconeção com o real
E ela pode não ser nunca mais resgatada

O último asilo dos insanos
Continuou ativado na sua desativação
O sofrimento permaneceu imperturbável
Ainda palpável ficou no peso do ar
Em cada móvel
Em cada cômodo
Em cada canto deste mausoléu de desilusões...

-Simone-

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