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GLÓRIA SWANSON, UMA MULHER DE MUITOS PLURAIS...

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Antes de Greta Garbo, Joan Crawford e Bette Davis, houve Glória Swanson. Quando a divina Garbo acabara de chegar em Hollywood, Glória Swanson já havia feito algumas dezenas de filmes e sido a primeira atriz a tornar-se produtora cinematográfica. Inteligente, curiosa sobre tudo e sobre todos, carisma singular, talento sagaz, ávida aprendiz, mãe amorosa, estrela de cinema grandiosa, produtora pioneira, designer de moda apaixonada, pintora, escultora, empresária, sempre interessada em expandir suas possibilidades de conhecer mais e crescer sem limites. Personificou vanguarda, estilo e glamour! 

Glória Swanson nasceu no ano de 1899, em Chicago, Estados Unidos. Desde cedo, nada na vida dela foi corriqueiro. A mãe confeccionava roupas exclusivas e bastante produzidas para que a filha estivesse sempre bonita e se sobressaísse no meio da multidão. Glória dizia que havia sido sempre "one of a kind". Era tímida com relação a tudo, menos ao modo como se vestia. Ainda durante sua infância, mudou-se com a família para Porto Rico e lá foi chamada de a "princesa cubana", por seu cabelo muito escuro e os grandes e expressivos olhos azuis. 

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Seu sonho desde cedo era ser cantora de ópera, mas acabou conseguindo uma oportunidade para fazer filmes ainda bastante jovem numa companhia de cinema chamada Essanay, lugar onde conheceu o ator Wallace Berry com quem se casou aos 17 anos. 

O produtor Mack Sennett, considerado o rei da comédia, queria fazer dela a próxima Mabel Normand (estrela de cinema mudo que havia se tornado muito popular em comédias). Glória respondeu: "Não quero ser uma outra pessoa!" Descontente estava como uma das "bathing beauties" (atrizes novas que posavam de roupas de banho), irritada por ficar exposta a todo tipo de escárnio nas cenas de comédia estilo pastelão, as quais achava por demais degradantes, tomou a decisão de pedir as contas. 

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O grande impulso em sua carreira aconteceu quando foi contratada pelo legendário diretor de cinema Cecil B. DeMille, famoso por criar filmes grandiosos. "Male and Female" uma super-produção de 1919 lançou-a ao estrelato. Num momento memorável, Glória divide a cena com um leão debruçado sobre ela. Confessou que ouvir o rugido do leão tão próximo foi a experiência mais extraordinária, fascinante e assustadora que já viveu. Gostava de ser desafiada e quanto mais risco havia, mais desejo tinha de se expor a ele. 

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Aos vinte poucos anos já era a maior estrela da Paramount e a atriz mais bem paga do cinema na década de 20. Contracenou com o grande galã romântico da época Rodolfo Valentino, com quem manteve uma afetuosa amizade até a morte prematura dele. Enquanto aproveitava férias na França, Swanson participou de uma produção franco-americana (primeira na história) chamada "Madame Sans-Gêne". Durante o filme conheceu e casou-se com um marquês francês, que era o seu tradutor.  

Na América, ao saber do sucesso do filme estrangeiro e do casamento que lhe deu o título de marquesa, voltou aos Estados Unidos em grande estilo, sendo aclamada nas ruas por uma multidão de pessoas. Poderia este ter sido o clímax de sua carreira, mas para ela tudo foi uma  extravagância publicitária bancada pelo estúdio para lucrar explorando sua vida privada. Sob o seu ponto-de-vista, as pessoas estavam celebrando-a como uma personalidade, não pelo seu talento como atriz. Disse: "Daquí para frente, quero que as pessoas julguem minha performance, não minha personalidade." 

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Abriu mão de um contrato de 1.000.000 de dólares e um  salário de 22.000 dólares por semana, além do status de maior estrela da Paramount, para se juntar a um outro estúdio, fundado por Charles Chaplin, Douglas Fairbanks and Mary Pickford chamado United Artists. Abraçou o desafio de lançar-se como produtora de seus próprios filmes, criando a companhia "Gloria Swanson Productions, Inc". 

Conseguiu os direitos de filmar uma obra que seria considerada polêmica demais no sentido moral e religioso, que vários estúdios queriam produzir mas não podiam por conta do Código Hays, implementado para "resgatar" a moralidade nos filmes considerados, antes dele, subversivos, obscenos, religiosamente ofensivos. Com sua perspicácia típica, Glória, que nunca desistia de um propósito, conseguiu produzir "Sadie Thompson" (1926) com grande sucesso, burlando hábilmente o crivo do tal código da moral e dos bons constumes. O filme conta a história de uma prostituta que é sistematicamente perseguida por um missionário fervoroso obcecado por convertê-la, com o intuito de, segundo ele, libertá-la da promiscuidade. Mas, no final, este homem profundamente moralista se rende aos braços dos mesmos pecados que condenou e comete suicídio. 

Nesta mesma época, Glória viveu um romance intenso com o patriarca da família Kennedy, Joseph Kennedy que ficou fascinado por ela e pelo mundo do cinema. Kennedy investiu dinheiro para produzir um filme suntuoso chamado "Queen Kelly", dirigido pelo diretor austríaco Eric von Stroheim (considerado um dos diretores mais sofisticados do cinema) e atuado por ela, mas que foi fadado ao fracasso pelo imenso dispêndio de dinheiro, tempo e, sobretudo, por conta da excentricidade do diretor. O filme não chegou a ser concluído, mas apareceu como um pequeno clip num filme que ela faria mais tarde. 

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Após produzir alguns filmes e se desencantar com Hollywood, resolveu focar a carreira em outros interesses. Criou uma empresa de invenções científicas chamada "Multiprises" e fez esforços hercúleos para conseguir trazer aos Estados Unidos cientistas judeus que, na época, já estavam enfrentando muitas dificuldades de deixar a Europa por conta do regime Nazista. Como foi um período muito conturbado em plena Segunda Guerra Mundial, Glória não conseguiu decolar nesta empreitada.

Em 1944, tornou-se uma ardorosa simpatizante de alimentação saudável, sendo a pioneira no movimento de comida orgânica. Virou uma ativista realmente leal a causa, tentando combater o uso de pesticidas nas plantações e lançando uma linha de cosméticos ("Essence of Nature Cosmetics") com o intuito de fazer as mulheres usarem produtos de beleza que fossem seguros e com ingredientes saudáveis. 

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Na mundo de moda aventurou-se com semelhante devoção, já que desde cedo havia sido considerada a pessoa que melhor sabia se vestir em Hollywood.  Através da associação com Neiman-Marcus, criou modelitos para uma das  mais requintadas lojas de moda de Nova York através da Puritan Fashion. Ficou responsável pela linha "Young Forever". Foi incluída entre grandes nomes da alta costura internacional como Givenchy e Dior. 

Em 1949, foi convidada a atuar num filme produzido pela Paramount chamado "Crepúsculo dos Deuses" ("Sunset Boulevard"). Sua personagem era uma ex-estrela de cinema mudo de meia idade vivendo confinada numa tétrica mansão, que nutria uma obsessão cega por retornar às telas quando, na realidade, havia sido esquecida fazia muito tempo pelo público, mas vivia em negação total com a realidade. O filme foi considerado um dos melhores já feitos na história do cinema e um enorme sucesso para Glória que exibiu uma performance extraordinária. Por ele, foi indicada pela terceira vez ao Oscar de melhor atriz (primeira indicação por "Sadie Thompson" (1928), segunda "The Trespasser" (1929)), desta vez em 1950, perdendo para Judy Holliday. Uma das frases mais famosas da personagem dela foi: "I AM big! The pictures that got small!" O problema foi que o público assumiu que o filme havia sido baseado na história real de Glória Swanson, como se ela e Norma Desmond (personagem) fossem a mesma pessoa. Sempre ressentiu-se muito pelo fato de as pessoas se lembrarem dela muito mais por tal personagem. Outros convites para que fizesse papéis semelhantes de estrelas de cinema decadentes foram recusados. Seu último filme para o cinema  foi "Aeroporto 1975" no papel dela mesma.

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Com o fim de sua carreira cinematográfica, lançou-se a um novo desafio, atuar desta vez no teatro, algo que achava não seria capaz, mas com a insistência de um amigo aceitou. Fez varias peças e chegou a fazer sucesso na Broadway. 

Mais tarde, recebeu um convite para criar o design de um selo comemorativo da Nações Unidas sobre a década da mulher 1976-1985. As esculturas que produziu foram igualmente apreciadas. Possuía um inquestionável talento para artes. 

A vida de Glória Swanson foi uma memorável jornada de altos e baixos, mas sempre em grande estilo, porque ela era como uma fênix que, não importa o que vivesse, sempre renascia das cinzas. Mulher de muita fibra, determinação, personalidade, singulares virtudes, com uma habilidade para se conectar com as pessoas e abrir portas de oportunidades sem igual. Foi a eterna apaixonada aprendiz. Chegou a sofrer ostracismo quando teve um romance com o ator Herbert Marshall, mas a verdade é que nunca ficou longe do spotlight de um jeito ou de outro.

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Nos seus muitos plurais, Glória Swanson engrandeceu o universo feminino de um modo poderoso, genuíno e cativante. Uma pessoa absolutamente notável e inspiradora. Uma estrela de cinema e uma estrela de vida real. Menina que nasceu com brilho próprio, o qual reluziu sua vida inteira. Tinha estilo, um estilo muito particular, confiança, coragem e inata sofisticação. Gostava de tudo que pudesse lhe fazer sentir cheia de vida, tinha um espírito de aventura na essência, era apaixonada por ela e por muitas outras pessoas. 

O pai de Glória costumava dizer que a vida era feita 95% de expectativa e 5% de realização. Ao que parece, Glória fez da vida dela 95% de realização e 5% de expectativa. Costumava dizer que no seu epitáfio estaria escrito: "Ela pagou todas as contas." Segundo ela, esta foi a história da sua vida privada. Glória Swanson, uma das maiores lendas de Hollywood e uma das mulheres mais fascinantes e empreendedoras que o mundo já conheceu.
   




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