Total Pageviews

A VELHA SENHORA...


A velha senhora, sentada naquela varanda  contemplava o passado, que estampado estava quadro a quadro sobre sua memória.

Expressava no rosto marcado pelo caminhar ininterrupto dos dias o orgulho inato daquele que venceu batalhas amargas e que fora capaz de construir fortalezas feitas de esperança, bravura e dignidade.

Suas estórias eram feitas de cores, sabores, texturas, aromas, movimentos, sabedoria, criatividade e atitudes desprendidas. 

Conhecera muita gente ao longo do caminho. Deixara uma semente da própria essência em cada uma delas. 

Olhava para o horizonte com a certeza de que tudo fez para aprender e ensinar, amar e realizar,  unir e nunca subtrair. 

Celebrava a autenticidade das crianças, a impetuosidade dos jovens, as respostas precisas dos crescidos, os legados dos falecidos.

A velha senhora sentada naquela varanda, se atrevia a ter sonhos audaciosos. Por fora, quando se olhava no espelho, se via como uma folha seca.  Mas por dentro, se sentia como as raízes de uma árvore que estão sempre em compasso de nutrir  e diante de qualquer que seja a tormenta e ventania, jamais suas forças deixam abalar ou sucumbir. 

-Simone-

(foto fonte:www.maierandmaierphotography.com/portrait-women/ portrait-old-lady-wrinkles-kolkata-west-bengal-india)

POE


No espelho quebrado
Vi uma imagem
De um eu
Que não era o meu...

Um estranho
Sem nome
Sem horizonte
Que de todos se esconde...

Um ser atormentado
Pelas agruras do passado
Sofrimento inato
 Dor profunda no anonimato...

O calabouço de um indivíduo
Perdido na tormenta
Incurável e pestilenta...

Portas fechadas
Janelas trancadas
Caminhos destruídos
Pensamentos enrijecidos
De sentimentos destituídos...

Achou que viveu
Mas não passou de um mito
Poeira esquecida
Além do infinito...

-Simone-